terça-feira, 28 de abril de 2009

Desafios do dia- a-dia

Depois de um longo e cansativo dia, Maria chega na casa de Guilherme, o homem que a própria diz ser a versão cabeluda da relação, já que cortara o cabelo curto e os dois recebiam piadinhas o suficiente, mas ela no fundo se divertia. Estava ali por que queria tentar arranjar um jeito de aprender a fazer mais coisas de casa – principalmente cozinhar - para tentar não ficar pedindo comida enquanto dormisse lá.

- Que maravilha, a cozinha está limpa. Vamos ver o que dá para fazer.

Rapidamente Maria começa a mexer nas panelas, abrir a geladeira e por final liga o fogão. Ela tinha imprimido de um site a receita de como fazer um Tutu à Mineira, e queria fazê-lo antes que Guilherme chegasse, para então realmente provar do que ouvira mais cedo de Gabriel: “ Se a senhorita souber cozinhar você nunca vai deixá-lo na mesmice, ainda mais conquista-se homens pelo seu estômago, sei bem o que digo. Hahaha!”

Enquanto fazia tudo, seu celular toca e Michele se encontrava na outra linha.

- E aí, amiga. Ta fazendo o quê de bom?

- Vim mais cedo para fazer uma comida na surdina para o Guilherme.

-Pensava que você estava em aula, e ia te chamar para depois tomarmos um chopp... – lamuriou Michele.

- Realmente eu to precisando um pouco, mas pode ficar para outro dia, que tal?

-Melhor, vou passar por aí e bebemos algo. – Michele bate o telefone e mal deixa Maria continuar.

- Não achava boa idéia. ‘Cê sempre fica bêbada com facilidade. – diz Maria olhando para o telefone e desligando-o.

Ao olhar para o fogão, vê que seu prato está quase todo pronto, faltando arrumar somente a mesa que estava desmontada, pois só era usada em ocasiões de visitas.

Abaixou o fogo, montou a mesa e estendeu um belo pano sobre a mesa e então pôs os pratos com os talheres em cima. Quando volta para a cozinha para então trazer tudo, a campainha toca. Mas logo em seguida, ouve-se o barulho de chaves.

- Eu me esqueço que não tem ninguém em casa, sabe? Mas pode ficar tranqüilo, a minha namorada está na faculdade, e... – a frase de Guilherme é rompida ao mesmo notar que Maria se encontrava na sala olhando para ele com um grande sorriso no rosto.

- Matei aula para tentar fazer uma surpresa para você! – falou Maria enquanto avançava meio desconfiada para a porta e tentava olhar quem estava do lado de Guilherme – Quem está do seu lado?

- Hey Maria, como está – uma voz muito rasgada falara de modo empolgado. Era Zé, um grande amigo de Guilherme, mas o que os dois estariam fazendo naquele momento após o trabalho e indo para o apartamento deste era uma boa pergunta.

- Hey – Maria responde bem desanimada . – Vocês podem só esperar do lado de fora enquanto eu limpo uma coisa que sujei aqui?

- Que que você fez? – Guilherme adentra rapidamente em seu apartamento na esperança de ver algo e se depara com a mesa preparada com talheres e pratos.

- Er, nada de mais... Entra aí, Zé. – ela sorri olhando para baixo e se dirigindo à cozinha.

- Que cheiro mais gostoso, hein Guilherme? E não estou falando de sua mulher. – disse alegremente Zé enquanto olhava para a cara confusa de Guilherme.

Guilherme olha para a cozinha e vê Maria tentando desastrosamente arrumar tudo o que tinha feito e guardando pequenas guarnições de comida em tupwares e via o restante da cozinha bagunçada.

- Zé, você gostaria de ficar? Parece que Maria fez comida, e nós poderíamos ser as cobaias, huh? – Guilherme fala alto de modo que Maria pudesse parar de guardar toda a comida.

- Claro, cara. Assim a gente pode falar sobre as coisas que estão acontecendo no escritório, você vai rachar de rir ao saber o que a Rachel andou fazendo. ‘Cê lembra dela, né? Claro que lembra, foi antes da Maria.

Maria olha da cozinha com raiva para o rosto de Guilherme que demonstrava aonde não saber enfiar a cara.

- É, então cara... Sente-se. – fala Guilherme enquanto anda repentinamente em direção à cozinha.

- Oi amor, vi que fez comida. Adivinhou que vinha visita? – falou sorrindo.

- Não, não adivinhei. – falara de modo amargo.

- Ih, já ta chegando a TPM? Quando você fica assim, tem horas que fica insuportável, horas que se irrita por qualquer coisa e horas que fica tão carente. Você sabe que eu não gosto tanto desses seus excessos, se bem que anda melhorando.

- Não estou com TPM, não vou nem argumentar por que eu não quero me irritar.

- Se você não argumentar, que tipo de advogada você vai ser?

- Não comece, nem me venha com isso. Eu saí da aula mais cedo, fui para o trabalho mais cedo para tentar fazer algo.

- Eu ainda acho que você não quer argumentar por que você perdeu aquela cadeira de filosofia na faculdade. – cutucou Guilherme.

- Eu perdi retórica, não filosofia! –rosnou baixo como se fosse aumentar o tom de voz.

- É uma cadeira essencial para um advogado e está ligada com filosofia. – pontuou Guilherme que se divertia ao notar o quanto Maria se irritava.

- Ok! – Maria brandou alto – Jante com o Zé, por que eu estou indo embora, e foda-se a merda da filosofia.

- Ai, ai, amor você fica uma gracinha nervosa. –Guilherme cai na gargalhada.

- Humpf! – Maria pega os tupwares e põe dentro de sua mochila que estava no quarto dele.

-Ei, se você ta levando a comida como você quer que eu e o Zé comamos?

- Ligue para a pizzaria, e gaste o seu dinheiro.

- Mas, mas , mas..Você fez comida, amor. - Guilherme olha com cara de pidão para Maria.

-Té mais Davi, muito obrigada por ter simancol. – sai andando em direção à porta.

Guilherme puxa Maria pelo braço e encara-a.

-Não sou judeu, não me chame assim. ‘Tá putinha por quê? - falando com um pouco de escárnio em sua voz.

[continuação]