quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Save Me.

Só queria que você estivesse do meu lado, meio estranho não?
Está tudo bem e do nada bate aquele vázio,
Como se não estivesse ninguém ao seu lado.
Segundo você, posso estar sendo egoísta, sei lá.
Mas estou pensando bem,
não sei porque motivo,
eu lembrei de alguém tão importante,
com quem já vacilei tanto,
evocando seu nome em vão,
que por ter medo de fazê-lo novamente,
prefiro não pensar na hipótese.
Pelo fato de você ser meu cumplice,
só queria uma noite abraçada e aconchegante com você.

Faça-me esquecer, faça-me viver.
Passe essa maldita noite comigo,
Cure a minha ferida e siga a sua vida.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Desafios do dia- a-dia

Depois de um longo e cansativo dia, Maria chega na casa de Guilherme, o homem que a própria diz ser a versão cabeluda da relação, já que cortara o cabelo curto e os dois recebiam piadinhas o suficiente, mas ela no fundo se divertia. Estava ali por que queria tentar arranjar um jeito de aprender a fazer mais coisas de casa – principalmente cozinhar - para tentar não ficar pedindo comida enquanto dormisse lá.

- Que maravilha, a cozinha está limpa. Vamos ver o que dá para fazer.

Rapidamente Maria começa a mexer nas panelas, abrir a geladeira e por final liga o fogão. Ela tinha imprimido de um site a receita de como fazer um Tutu à Mineira, e queria fazê-lo antes que Guilherme chegasse, para então realmente provar do que ouvira mais cedo de Gabriel: “ Se a senhorita souber cozinhar você nunca vai deixá-lo na mesmice, ainda mais conquista-se homens pelo seu estômago, sei bem o que digo. Hahaha!”

Enquanto fazia tudo, seu celular toca e Michele se encontrava na outra linha.

- E aí, amiga. Ta fazendo o quê de bom?

- Vim mais cedo para fazer uma comida na surdina para o Guilherme.

-Pensava que você estava em aula, e ia te chamar para depois tomarmos um chopp... – lamuriou Michele.

- Realmente eu to precisando um pouco, mas pode ficar para outro dia, que tal?

-Melhor, vou passar por aí e bebemos algo. – Michele bate o telefone e mal deixa Maria continuar.

- Não achava boa idéia. ‘Cê sempre fica bêbada com facilidade. – diz Maria olhando para o telefone e desligando-o.

Ao olhar para o fogão, vê que seu prato está quase todo pronto, faltando arrumar somente a mesa que estava desmontada, pois só era usada em ocasiões de visitas.

Abaixou o fogo, montou a mesa e estendeu um belo pano sobre a mesa e então pôs os pratos com os talheres em cima. Quando volta para a cozinha para então trazer tudo, a campainha toca. Mas logo em seguida, ouve-se o barulho de chaves.

- Eu me esqueço que não tem ninguém em casa, sabe? Mas pode ficar tranqüilo, a minha namorada está na faculdade, e... – a frase de Guilherme é rompida ao mesmo notar que Maria se encontrava na sala olhando para ele com um grande sorriso no rosto.

- Matei aula para tentar fazer uma surpresa para você! – falou Maria enquanto avançava meio desconfiada para a porta e tentava olhar quem estava do lado de Guilherme – Quem está do seu lado?

- Hey Maria, como está – uma voz muito rasgada falara de modo empolgado. Era Zé, um grande amigo de Guilherme, mas o que os dois estariam fazendo naquele momento após o trabalho e indo para o apartamento deste era uma boa pergunta.

- Hey – Maria responde bem desanimada . – Vocês podem só esperar do lado de fora enquanto eu limpo uma coisa que sujei aqui?

- Que que você fez? – Guilherme adentra rapidamente em seu apartamento na esperança de ver algo e se depara com a mesa preparada com talheres e pratos.

- Er, nada de mais... Entra aí, Zé. – ela sorri olhando para baixo e se dirigindo à cozinha.

- Que cheiro mais gostoso, hein Guilherme? E não estou falando de sua mulher. – disse alegremente Zé enquanto olhava para a cara confusa de Guilherme.

Guilherme olha para a cozinha e vê Maria tentando desastrosamente arrumar tudo o que tinha feito e guardando pequenas guarnições de comida em tupwares e via o restante da cozinha bagunçada.

- Zé, você gostaria de ficar? Parece que Maria fez comida, e nós poderíamos ser as cobaias, huh? – Guilherme fala alto de modo que Maria pudesse parar de guardar toda a comida.

- Claro, cara. Assim a gente pode falar sobre as coisas que estão acontecendo no escritório, você vai rachar de rir ao saber o que a Rachel andou fazendo. ‘Cê lembra dela, né? Claro que lembra, foi antes da Maria.

Maria olha da cozinha com raiva para o rosto de Guilherme que demonstrava aonde não saber enfiar a cara.

- É, então cara... Sente-se. – fala Guilherme enquanto anda repentinamente em direção à cozinha.

- Oi amor, vi que fez comida. Adivinhou que vinha visita? – falou sorrindo.

- Não, não adivinhei. – falara de modo amargo.

- Ih, já ta chegando a TPM? Quando você fica assim, tem horas que fica insuportável, horas que se irrita por qualquer coisa e horas que fica tão carente. Você sabe que eu não gosto tanto desses seus excessos, se bem que anda melhorando.

- Não estou com TPM, não vou nem argumentar por que eu não quero me irritar.

- Se você não argumentar, que tipo de advogada você vai ser?

- Não comece, nem me venha com isso. Eu saí da aula mais cedo, fui para o trabalho mais cedo para tentar fazer algo.

- Eu ainda acho que você não quer argumentar por que você perdeu aquela cadeira de filosofia na faculdade. – cutucou Guilherme.

- Eu perdi retórica, não filosofia! –rosnou baixo como se fosse aumentar o tom de voz.

- É uma cadeira essencial para um advogado e está ligada com filosofia. – pontuou Guilherme que se divertia ao notar o quanto Maria se irritava.

- Ok! – Maria brandou alto – Jante com o Zé, por que eu estou indo embora, e foda-se a merda da filosofia.

- Ai, ai, amor você fica uma gracinha nervosa. –Guilherme cai na gargalhada.

- Humpf! – Maria pega os tupwares e põe dentro de sua mochila que estava no quarto dele.

-Ei, se você ta levando a comida como você quer que eu e o Zé comamos?

- Ligue para a pizzaria, e gaste o seu dinheiro.

- Mas, mas , mas..Você fez comida, amor. - Guilherme olha com cara de pidão para Maria.

-Té mais Davi, muito obrigada por ter simancol. – sai andando em direção à porta.

Guilherme puxa Maria pelo braço e encara-a.

-Não sou judeu, não me chame assim. ‘Tá putinha por quê? - falando com um pouco de escárnio em sua voz.

[continuação]

terça-feira, 3 de março de 2009

Pensamentos.

Penso em um dia que não existe,
Em um dia que a realidade poderá ser alternativa,
Quando os desejos simplesmente não ficam no plano das vontades,
Em pássaros que poderiam ficar parados no céu sem bater asas.

Falam que os olhos são as janelas da alma,
Será?
Será que não é possível fingir ter alguma coisa no olhar?
As pessoas não mentem direito quando se olha nos olhos,
Será?
Nunca se fingiu falar algo de modo tão convincente que passasse a ser verdade?

Pronunciam religiões, dogmas e seus derivados,
Tendo sempre um único ser, ou o favorito,
Nunca poderá ter igualdade?
Qual a diferença do humano e de Deus?
Será a realidade ou a ficção que se projeta em nosso cérebro?

Acho que a coisa mais real que posso ver no momento é o sono tranquilo de um gato na cama.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Questões

Sempre quando piso os pés neste ambiente, me sinto flutuando junto com o aroma de incenso que sempre se encontra forte.

O seu cheiro espalhado pelo cômodo tem um quê peculiar, quando cheguei perto quase entrei em transe.

Só me pergunto que bruxaria andaria aprontando.

Quando me encontro perto, algo me abate por dentro e me faz pensar novamente na velha filosofia de vida que sempre levei: “até quando será que aguentará?”

Seria essa filosofia então algo útil a se pensar em novos tempos dos quais a minha pessoa se encontra tão bem, mas ao mesmo tempo com novas descobertas sentindo-se novamente com a necessidade de ter um pé atrás, já que como dizem por aí: “a facada pode vir de quem você menos espera e geralmente é pior, é de alguém que sempre está do seu lado.”

Acho que de tanto pensar a loucura pode invadir, ou seria somente o cheiro intenso do incenso novamente?

-*-

Quando pequena sempre estivera com os cabelos longos presos em uma ou duas tranças, a sua pele era tão branca quanto à cor da neve que repousa sob a Irlanda, e seus olhos grandes de um castanho escuro que ao entrasse em contato com o sol, poderiam ficar da cor de mel.

Sempre fora rodeada de amigos, ou pelo menos se diziam ser.

- Ela? – o garoto apontava para a garota de olhos grandes e castanhos. – sempre que eu tentei chegar perto, ela sempre me usava de gato e sapato.

- Mas ela sempre me tratou bem.. – relatou uma mulata que ao sorrir notava-se o aparelho fixo prateado em seus dentes.

- Acho que ela tem a vida ganha demais, não acha? – replicou o menino.

- Creio que não, parece que desde que o irmão chegara, ela se confundiu mais. E não sabe como agradar os pais ou até mesmo a sua avó.

- Para mim, isso não é desculpa.

- Eu entendo o seu lado, tendo a Lívia do meu lado. Ô peste! – sibilou com desdém.

A garota seguia conforme a música tocava, tentava fazer o máximo para ter a vida que sempre tivera e ainda conseguir agradar os pais não demonstrando a inveja que sentia de seu irmão mais novo.

Até o dia que deixou isto transparecer de modo meio sádico.

- Esse carrinho está indo em sua direção, toma cuidado. – ela alertou o irmão mais novo.

- Ele devia estar seguindo o trânsito que o papai fez, não? – perguntou ingenuamente.

- Deveria, mas eu quis dar a volta e bater no seu carrinho e então.. BOOM! Viu? Seu carrinho morreu. – sorriu com certa satisfação no rosto.

- Pára! – berrou o menino no meio de um choramingo. – Você destruiu tudo o que eu e o papai fizemos.

- Destruí nada, só tirei o seu carrinho do meio. –afirmou toda orgulhosa.

- Você é muito chata, vou falar com o pai. – o garoto começava a se levantar quando fora puxado para baixo pelo braço mais longo de sua irmã.

- Você vai ficar quietinho, moleque. – ela afirmou séria.

- Pára, você está me machucando. – ele continuou a choramingar, fazendo com que seus olhos da cor de mel, começassem a se mostrar esverdeados.

- Fica quieto. – então ela puxou um carrinho de plástico como um outro qualquer, arrancou-lhe o pneu esquerdo, fazendo então com que se aparentasse com uma faca mas não afiada como uma real.

- Que que você está fazendo? – urrou o menino ao ver o brinquedo destroçado e o objeto metálico chegando perto.

- Tentando fazer você ficar quieto. – então pegou a barrinha metálica, que se encontrava somente com um dos pneus, e enfiou na mão esquerda do menino, na altura dos pulsos, iniciando um traço perto do dedo indicador até o mindinho no formato de um “u”.

- Ahh! – urrou o menino novamente, sentindo a dor percorrer pela sua mão.

- Eu falei para você ficar quieto, poxa.

Ela estava pegando novamente a barrinha metálica, quando sua mãe chega e começa a berrar em seu ouvido:

- que que é isso? Que sangue é esse espalhado? MENINA, VOCÊ É MALUCA? Seu irmão tem quatro anos de idade e você me faz algo assim? Já para o seu quarto, que seu pai já irá conversar com a senhorita.

- Mas mãe, ele que começou. – replicou com uma cara de pidona.

- Seu quarto, eu falei. –ela puxa o chinelo de seu pé direito e o arremessa contra a garota que sai correndo para o quarto e bate a porta com violência. – E fique aí.

Então, seu pai aparece, forte com os cabelo negros, ondulados e sempre bem aparados.

- Que que aconteceu aqui, minha filha? – perguntou o pai paciente.

- Isso foi por que ele não quis me obedecer e pelo o que ele fez no dia do meu aniversário. Ele não tinha direito de me bater com um cabo de vassoura na mão.

- Por ele ser menor e fazer uma burrada isto não lhe dá o direito de fazer algo parecido com o que ele fez.

- Mas.. –falou rapidamente antes de ser cortada por uma pessoa de voz suave.

- Minha filha, ouça o seu pai. Ele sabe o que diz, agora por favor, sente aqui no meu colo.

Ela parou de choramingar e sorriu para a senhora que estava sentada na velha cadeira de balanço de couro que eles tinham na varanda do apartamento, e sentou com ela e começou a conversar sobre o futuro e então lhe fez uma promessa.

As pessoas pensam de modo estranho e ainda por cima, mudam com uma facilidade extrema. Será que um dia isso será compreendido, sem ser é claro com a explicação de que seria uma TPM.