sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Questões

Sempre quando piso os pés neste ambiente, me sinto flutuando junto com o aroma de incenso que sempre se encontra forte.

O seu cheiro espalhado pelo cômodo tem um quê peculiar, quando cheguei perto quase entrei em transe.

Só me pergunto que bruxaria andaria aprontando.

Quando me encontro perto, algo me abate por dentro e me faz pensar novamente na velha filosofia de vida que sempre levei: “até quando será que aguentará?”

Seria essa filosofia então algo útil a se pensar em novos tempos dos quais a minha pessoa se encontra tão bem, mas ao mesmo tempo com novas descobertas sentindo-se novamente com a necessidade de ter um pé atrás, já que como dizem por aí: “a facada pode vir de quem você menos espera e geralmente é pior, é de alguém que sempre está do seu lado.”

Acho que de tanto pensar a loucura pode invadir, ou seria somente o cheiro intenso do incenso novamente?

-*-

Quando pequena sempre estivera com os cabelos longos presos em uma ou duas tranças, a sua pele era tão branca quanto à cor da neve que repousa sob a Irlanda, e seus olhos grandes de um castanho escuro que ao entrasse em contato com o sol, poderiam ficar da cor de mel.

Sempre fora rodeada de amigos, ou pelo menos se diziam ser.

- Ela? – o garoto apontava para a garota de olhos grandes e castanhos. – sempre que eu tentei chegar perto, ela sempre me usava de gato e sapato.

- Mas ela sempre me tratou bem.. – relatou uma mulata que ao sorrir notava-se o aparelho fixo prateado em seus dentes.

- Acho que ela tem a vida ganha demais, não acha? – replicou o menino.

- Creio que não, parece que desde que o irmão chegara, ela se confundiu mais. E não sabe como agradar os pais ou até mesmo a sua avó.

- Para mim, isso não é desculpa.

- Eu entendo o seu lado, tendo a Lívia do meu lado. Ô peste! – sibilou com desdém.

A garota seguia conforme a música tocava, tentava fazer o máximo para ter a vida que sempre tivera e ainda conseguir agradar os pais não demonstrando a inveja que sentia de seu irmão mais novo.

Até o dia que deixou isto transparecer de modo meio sádico.

- Esse carrinho está indo em sua direção, toma cuidado. – ela alertou o irmão mais novo.

- Ele devia estar seguindo o trânsito que o papai fez, não? – perguntou ingenuamente.

- Deveria, mas eu quis dar a volta e bater no seu carrinho e então.. BOOM! Viu? Seu carrinho morreu. – sorriu com certa satisfação no rosto.

- Pára! – berrou o menino no meio de um choramingo. – Você destruiu tudo o que eu e o papai fizemos.

- Destruí nada, só tirei o seu carrinho do meio. –afirmou toda orgulhosa.

- Você é muito chata, vou falar com o pai. – o garoto começava a se levantar quando fora puxado para baixo pelo braço mais longo de sua irmã.

- Você vai ficar quietinho, moleque. – ela afirmou séria.

- Pára, você está me machucando. – ele continuou a choramingar, fazendo com que seus olhos da cor de mel, começassem a se mostrar esverdeados.

- Fica quieto. – então ela puxou um carrinho de plástico como um outro qualquer, arrancou-lhe o pneu esquerdo, fazendo então com que se aparentasse com uma faca mas não afiada como uma real.

- Que que você está fazendo? – urrou o menino ao ver o brinquedo destroçado e o objeto metálico chegando perto.

- Tentando fazer você ficar quieto. – então pegou a barrinha metálica, que se encontrava somente com um dos pneus, e enfiou na mão esquerda do menino, na altura dos pulsos, iniciando um traço perto do dedo indicador até o mindinho no formato de um “u”.

- Ahh! – urrou o menino novamente, sentindo a dor percorrer pela sua mão.

- Eu falei para você ficar quieto, poxa.

Ela estava pegando novamente a barrinha metálica, quando sua mãe chega e começa a berrar em seu ouvido:

- que que é isso? Que sangue é esse espalhado? MENINA, VOCÊ É MALUCA? Seu irmão tem quatro anos de idade e você me faz algo assim? Já para o seu quarto, que seu pai já irá conversar com a senhorita.

- Mas mãe, ele que começou. – replicou com uma cara de pidona.

- Seu quarto, eu falei. –ela puxa o chinelo de seu pé direito e o arremessa contra a garota que sai correndo para o quarto e bate a porta com violência. – E fique aí.

Então, seu pai aparece, forte com os cabelo negros, ondulados e sempre bem aparados.

- Que que aconteceu aqui, minha filha? – perguntou o pai paciente.

- Isso foi por que ele não quis me obedecer e pelo o que ele fez no dia do meu aniversário. Ele não tinha direito de me bater com um cabo de vassoura na mão.

- Por ele ser menor e fazer uma burrada isto não lhe dá o direito de fazer algo parecido com o que ele fez.

- Mas.. –falou rapidamente antes de ser cortada por uma pessoa de voz suave.

- Minha filha, ouça o seu pai. Ele sabe o que diz, agora por favor, sente aqui no meu colo.

Ela parou de choramingar e sorriu para a senhora que estava sentada na velha cadeira de balanço de couro que eles tinham na varanda do apartamento, e sentou com ela e começou a conversar sobre o futuro e então lhe fez uma promessa.

As pessoas pensam de modo estranho e ainda por cima, mudam com uma facilidade extrema. Será que um dia isso será compreendido, sem ser é claro com a explicação de que seria uma TPM.